domingo, 12 de janeiro de 2020

No Globo, Flávio Dino defende aliança com o ‘centro e a direita’


O governador comunista do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA), em entrevista ao Globo, publicada neste domingo (12), defende uma aproximação da esquerda com o “centro e a direita”. O governador maranhense também justificou o seu encontro com o apresentador global Luciano Huck. “O fato de ele não integrar a esquerda não significa que não devemos dialogar”, disse Dino.

Sobre as eleições municipais deste ano, Dino aponta como fórmula política para a esquerda sair da defensiva uma aliança com setores “liberais” e de “centro”: “É fundamental que tenhamos espírito de humildade e de diálogo. Muita abertura para promover uniões entre o campo da esquerda, o campo progressista, e também alcançando forças políticas que estão externas ao nosso campo, como os setores liberais, chamados de partidos de centro”, declarou.
Leia a íntegra da entrevista do governador ao jornal O Globo:
Como será a atuação dos partidos de esquerda e do PCdoB nas eleições municipais deste ano?
A eleição de 2020 será um teste para todos os partidos porque será a primeira eleição na História sem coligações para vereadores. Claro que para os partidos que têm desempenhos eleitorais menores, o desafio é ainda maior. Nós estamos investindo em chapas próprias. De um modo geral, especialmente no Maranhão, eu vou participar e vou apoiar os candidatos do partido e das legendas aliadas, que no nosso estado são 16 (entre elas DEM, PT, PP, PR, Solidariedade e PRB). Nacionalmente, de acordo com as alianças que o PCdoB fizer, estou à disposição.
Como não repetir o fracasso de 2018 nas urnas?
É fundamental que tenhamos espírito de humildade e de diálogo. Muita abertura para promover uniões entre o campo da esquerda, o campo progressista, e também alcançando forças políticas que estão externas ao nosso campo, como os setores liberais, chamados de partidos de centro. A meu ver, eles são essenciais para que a gente possa ter vitórias eleitorais importantes em 2020.
O antipetismo pode atrapalhar uma frente ampla?
As alianças partidárias e políticas são fundamentais porque são expressões de segmentos da sociedade. Quando você rejeita ou hostiliza partidos ou lideranças está, na verdade, hostilizando segmentos sociais que são representados por esses partidos.
 É evidente que você não pode perder identidade. Tem que ter identidade e lucidez programática. Com base numa identidade definida, quem quiser apoiar esse programa, no nosso caso, voltado ao combate de desigualdade, distribuição de renda e defesa dos direitos dos mais pobres, pode somar. Não vamos inverter uma situação de perda de espaço e transformar isso em um ciclo de novas vitórias se tivermos um sentimento isolacionista.
Como superar esse sentimento?
O ano de 2018, de fato, foi um momento muito difícil para o nosso campo político porque viemos de uma sequência de derrotas, sobretudo após a votação do impeachment da presidente Dilma (Rousseff). Houve uma sequência de dificuldades agudas, que já se manifestaram nas eleições de 2016, quando perdemos prefeituras importantes, a exemplo de São Paulo. O pior momento foi 2018. 
Minha expectativa neste ano é de recuperação. Nossos resultados eleitorais serão melhores do que o que tivemos na eleição municipal anterior. O desgaste do próprio governo Bolsonaro contribui para isso. Estamos chegando ao quinto ano que estamos fora do governo, desde o impeachment, e vemos que persistem problemas gravíssimos econômicos e sociais, a exemplo do desemprego.
Bolsonaro e Lula serão os principais cabos eleitorais desta eleição?
O Globo

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